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quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Blow minds, not guys, open books, not legs. Ai meu deus, que horror, por que?

NÃO! Faça o que você quiser! Não deixe slut shamers lhe dizerem o que fazer!
(e, dica, fazer as quatro coisas é bem legal)

Toda feminista tem um passado slut shamer. A maioria, pelo menos. Não é pra menos: somos ensinadas a associar caráter a comportamento sexual e até a roupas (na maioria das vezes, isso é só com as mulheres, como nós). Mas não é de slut shaming que eu quero falar, não especificamente, já que este é um preconceito muito amplo e tem muitos textos que falam sobre isso bem como eu jamais conseguiria, como este de um tumblr que eu amo. Aqui eu quero falar mais sobre essa dicotomia besta, de inteligente OU sexualmente ativa, liberta.

Não se sinta menos digna por fazer sexo, por ter vontade disso, por se masturbar, por ver filmes pornô, por ler Cinquenta tons de cinza (se for o seu caso, posso te indicar fanfics com sex scenes beeeem melhores) ou por fazer sexo oral, pelo amor de deus! Nem se sinta superior por gostar de ler, por "blow minds" (aliás, isso é bem relativo, né? eu posso blow minds by blowing guys, não posso?) ou por se achar diferente das outras garotas. Muitas vezes, você não é diferente das outras garotas, você é diferente do estereótipo de  garota, estereótipo que é apenas isso - nenhuma garota pensa só em maquiagem, silicone e cabelos. E se pensar, deixa ela!

Ah, amiga, deixa eu te dar um conselho: faça as quatro coisas, se quiser. E muitas de nós queremos. Nunca fiz as duas coisas condenadas, mas espero que no dia em que tiver vontade, as faça sem pensar nessas palavras bobas que slut shamers espalham pela internet, que eu saiba que fazer sexo não vai me impedir de gostar de ler e sexo oral não vai impedir ninguém de gostar de mim. E pra mim é super importante que as pessoas parem de dar ouvido a esse tipo de mensagem e façam o que se sentem melhor fazendo. Imagina quão limitada a vida de uma pessoa que não faz sexo não por não querer, mas por se sentir mal! Gente, sexo é lindo, é bom, é ÓTIMO! Como vejo muitas vezes, o único problema do sexo é quando ele não é consensual. O ÚNICO. De resto, faça o que quiser!

Então, imaginem minha alegria ao ver os comentários negativos no post dessa imagem no blog da Shame e ao ver a seguinte imagem no tumblr com mais de 9 mil notes:
Isso! Você não vai se arrepender! Have fun!

Don't let the shamers get you down!

Débora

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Resenha: A Culpa é das Estrelas, de John Green


Acho que sou a última pessoa que se caracteriza como leitora ávida a ler este livro. Posso culpar o vestibular? Pois bem, o fato é que ganhei ele de natal: comecei a ler à uma da manhã e terminei às cinco. Markus Suzak está completamente certo. Foi provavelmente o melhor livro do ano, nos quesitos profundidade, citações e realismo (Não li muitos livros, a maioria foi leitura obrigatória, mas mesmo assim).

É importante falar que eu tenho uma ligação bem próxima com o câncer - não vou entrar em detalhes, mas não é nada legal. Mas nunca tinha pensado em como uma adolescente lida com essa doença - apesar de conviver com quem a tem, confesso que ainda via jovens com câncer de um modo diferenciado, e a Hazel (Grace <3) conseguiu acabar com esse preconceito. Eles têm paixões, medos e pensamentos meio revolucionários como TODOS os outros adolescentes.

Bem, o livro é sobre a Hazel, uma garota de 16 anos com câncer que já chegou bem perto da morte, mas por um "milagre" conseguiu estender sua vida um pouquinho. Ela vive através de uma bomba de oxigênio, já que os seus pulmões não funcionam direito. A história começa quando ela conhece Augustus, um garoto que só tem uma perna devido a um osteossarcoma com 85% de cura. Eles trocam livros e é com base nisso que a história se desenvolve, com direito a uma boa parte se passando em Amsterdã. Não sei se posso falar mais do que isso.

A história entre a Hazel e o Gus é linda, e foi responsável por boa parte das minhas lágrimas. Mas mais do que isso, a relação entre jovens com câncer e seus pais é explorada, assim como o modo que eles são "obrigados" a abrir mão da convivência com jovens saudáveis e suas relações interpessoais se resumem a grupos de apoio (aí entra o Isaac, uma personagem linda <3).

Aqui, comento superficialmente. Há citações no livro que você pode usar pra vida, como muitos usam versículos da Bíblia. Principalmente pela minha relação com o câncer, digo que há uma Débora pré e uma Débora pós A Culpa é das Estrelas. Eu nem sei pôr em palavras quão esse livro é profundo, inocente e tocante. Não sei. Só sei dizer uma coisa: LEIA. LEIA, POR FAVOR!

Estrelas: 5 (mil!)
Editora: Intrínseca
Autora: John Green (twitter)


Débora

sábado, 22 de dezembro de 2012

Resenha: Belo Desastre, de Jamie McGuire


Eu comprei esse livro na feira do livro, em setembro. Vi que muita gente no twitter comentava, então resolvi dar um tiro à meia-luz. Não me arrependi. Belo Desastre é o tipo de narrativa que te deixa inquieta até que você vire a última página - você vive o livro. E esse é o tipo de história que eu gosto.

Se você tem algum problema com palavrão, cenas de sexo (mesmo que lights), brigas, álcool, violência... eu não recomendo. Mas o pior da história não é isso, pelo menos, não foi pra mim. Toda a história, assim como suas personagens principais e você enquanto lê o livro pode ser descrita como fucked up. Não acho que exista uma palavra em português que expresse melhor, a tradução direta não consegue. Entre idas e vindas, as personagens te transportam para sua relação extremamente conturbada e, ao virar a última página, você dá um suspiro de alívio.

Abby é uma mocinha diferente. Virgem, boa garota, mas com um passado traumático. Como toda personagem principal em YA, te faz querer sacudi-la de vez em quando - não sabe o que quer, é orgulhosa demais, etc. Travis é o típico bad boy que só precisava de um abraço, e apesar de ser possessivo, o mais fucked up de todos, complicado e tudo o mais, é apaixonante. Até para mim, que sempre preferi os bons garotos.

Se você ler com uma perspectiva realista, vai odiar. Eu, como feminista, odiaria. Mas decidi não ler a maioria dos livros sob essa perspectiva, pois meu gosto se tornaria muito restrito. O final, então, é de deixar qualquer pessoa de cabelos em pé, mas deixa a garotinha romântica de dentro de você gritando de felicidade. Sem contar que a obra toda é bem sexy, sem cair no tom de romance de banca de Cinquenta Tons de Cinza. Ah, e em abril, a "sequência", que é a mesma história sob o ponto de vista do Travis, é lançada. Walking Disaster promete provocar mais lágrimas e mais desespero que o primeiro. Veremos!

Estrelas: 5
Editora: Versus
Autora: Jamie McGuire (twitter)

Débora

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Resoluções de ano novo

É a primeira vez que me aventuro em fazer resoluções de ano novo e, como amo coisas mainstream, resolvi fazer as minhas. Acaba sendo uma lista de desejos não realizados, mas juro que vou tentar.
  • Ler 50 livros (muito difícil, já que se eu passar no vestibular ficarei sobrecarregada e, se não passar, nem comento. mas ainda vale)
  • Ver 50 filmes (juro que vou tentar!)
  • Assistir pelo menos 3 séries, acompanhar mesmo, sem atrasos.
  • Estudar e prestar atenção nas aulas o suficiente para poder fazer os três desejos acima sem culpa.
  • Pesquisar mais sobre Socialismo, Capitalismo e afins.
  • Ler mais sobre Feminismo
  • Tirar a bunda do sofá e fazer algum trabalho voluntário.
  • Finalmente terminar o curso de inglês, lembrando que dizer "entendo inglês, eu juro" não conta no currículo.
Acho que é isso. Meio pobrinha, mas é um bom começo. (não, me recuso a inserir coisas como "perder peso", "entrar na academia" ou "comer menos chocolate". deus é mais!)[

Débora

Se seus sonhos não lhe assustam, eles não são grandes o suficiente.



Ontem foi minha formatura do ensino médio. Em grande estilo, com um vestido de princesa e dois quilos de glitter sobre cada uma das pálpebras, eu disse adeus à dura rotina de estudante dos últimos dezesseis anos e meio. Mas não vim falar sobre saudosismo aqui – mal tive tempo de me acostumar com a ideia de não mais estudar na minha escola, que dirá sentir falta de lá. Vim falar do futuro.


Quero ser médica. É o que esperam de mim. Por sempre ter tido facilidade cognitiva e ter sido adiantada na escola, minha família sempre achou que qualquer coisa “menor” que medicina seria um desperdício. Mas meus motivos são outros. Descobri que quero ajudar as pessoas. Ajudar de verdade, dar sangue, suor e lágrimas pelos interesses dos outros, pelo bem comum. E acho que a medicina pode me ajudar nisso. O vestibular não é fácil – fiz as provas, acertei um bom número de questões, mas meu futuro está nas mãos da imprevisibilidade do desvio padrão e do TRI. Meu primeiro medo. Meu segundo medo, que acho que todo vestibulando tem (principalmente quando tem de escolher o curso que vai fazer pelo resto da vida aos 16 anos), é de não gostar do curso. Eu nunca fui muito fã de Biologia em geral. Gosto de histologia e fisiologia o suficiente para estudar pelo resto da vida em troca de fazer o bem para os outros, mas abrir um livro pra estudar com paixão, sem receber nada em troca, como faço com Literatura e História? Não, obrigada. Mas será que isso vai me impedir? Será que vou largar medicina e fazer, sei lá, letras? Tenho medo de decepcionar todos a meu redor, de decepcionar a mim mesma, de jogar todo o investimento dos meus pais fora. Tenho medo. Meu sonho de ajudar as pessoas – esse meu sonho não vai me afastar de quem eu sou, além de alguém que realmente ama fazer o bem? Porque sou mais que isso. Tenho prazeres individualistas, e eles também são parte de mim.

É complicado. É um novo caminho. Ontem fui a oradora e falei vagamente sobre novos caminhos, escolhas e futuro, mas o que realmente penso não poderia ser dito em frente a 600 pessoas esperando o clichê.

Meu mantra no momento é o que está escrito em inglês nessa imagem meio hipster que eu achei no We Heart It. Talvez os melhores médicos no mundo e as pessoas mais realizadas do universo tenham tido essas mesmas dúvidas. Então tudo bem. Talvez meus sonhos sejam enormes, e eu acho que tenho orgulho disso.

Don’t you see the starlight, starlight? Don’t you dream impossible things?

Débora

Você está vivendo seu sonho?



Eu não estou vivendo o meu, mas quero começar. E foi pensando nisso que resolvi criar um blog. Já tinha essa ideia em mente, mas resolvi pôr em prática. Estou terminando o ensino médio e, se passar em Medicina, minha vida mudará ano que vem. Realizarei todas as promessas de ano novo que venho adiando a vida inteira. Lerei mais, viajarei mais, verei mais séries e filmes. E falarei sobre tudo isso aqui. Acho que esse é o meu sonho mais modesto, e mal posso esperar para começar a vivê-lo.


Débora
 
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