Ontem foi minha formatura do ensino médio. Em grande estilo, com um vestido de princesa e dois quilos de glitter sobre cada uma das pálpebras, eu disse adeus à dura rotina de estudante dos últimos dezesseis anos e meio. Mas não vim falar sobre saudosismo aqui – mal tive tempo de me acostumar com a ideia de não mais estudar na minha escola, que dirá sentir falta de lá. Vim falar do futuro.
Quero ser médica. É o que esperam de mim. Por sempre ter tido facilidade cognitiva e ter sido adiantada na escola, minha família sempre achou que qualquer coisa “menor” que medicina seria um desperdício. Mas meus motivos são outros. Descobri que quero ajudar as pessoas. Ajudar de verdade, dar sangue, suor e lágrimas pelos interesses dos outros, pelo bem comum. E acho que a medicina pode me ajudar nisso. O vestibular não é fácil – fiz as provas, acertei um bom número de questões, mas meu futuro está nas mãos da imprevisibilidade do desvio padrão e do TRI. Meu primeiro medo. Meu segundo medo, que acho que todo vestibulando tem (principalmente quando tem de escolher o curso que vai fazer pelo resto da vida aos 16 anos), é de não gostar do curso. Eu nunca fui muito fã de Biologia em geral. Gosto de histologia e fisiologia o suficiente para estudar pelo resto da vida em troca de fazer o bem para os outros, mas abrir um livro pra estudar com paixão, sem receber nada em troca, como faço com Literatura e História? Não, obrigada. Mas será que isso vai me impedir? Será que vou largar medicina e fazer, sei lá, letras? Tenho medo de decepcionar todos a meu redor, de decepcionar a mim mesma, de jogar todo o investimento dos meus pais fora. Tenho medo. Meu sonho de ajudar as pessoas – esse meu sonho não vai me afastar de quem eu sou, além de alguém que realmente ama fazer o bem? Porque sou mais que isso. Tenho prazeres individualistas, e eles também são parte de mim.
É complicado. É um novo caminho. Ontem fui a oradora e falei vagamente sobre novos caminhos, escolhas e futuro, mas o que realmente penso não poderia ser dito em frente a 600 pessoas esperando o clichê.
Meu mantra no momento é o que está escrito em inglês nessa imagem meio hipster que eu achei no We Heart It. Talvez os melhores médicos no mundo e as pessoas mais realizadas do universo tenham tido essas mesmas dúvidas. Então tudo bem. Talvez meus sonhos sejam enormes, e eu acho que tenho orgulho disso.
Don’t you see the starlight, starlight? Don’t you dream impossible things?
Débora
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